Estava relendo Samuel e Reis esses dias.
Não era uma leitura planejada para esse tempo. Mas ela chegou motivada por uma serie de TV que comecei a assistir com Alice, minha filha, sobre o livro de Reis e pelas ultimas pregações pastorais. E foi chegando junto com o Deuses Falsos, do Timothy Keller, uma a indicação de leitura da classe de casais da igreja que frequento.
E uma coisa foi puxando a outra.
Porque os dois falam, de formas diferentes, sobre a mesma armadilha: a de colocar em seres humanos uma esperança que só cabe em Deus.
Aí eu olhei pra mim mesma. E precisei ser honesta.
Eu nunca fui aquela pessoa de discussão política nas redes
Sempre me mantive neutra. Talvez até distante demais.
E teve vezes que essa neutralidade virou omissão. Eu me abstive quando não devia. Cruzei os braços diante de uma responsabilidade que também era minha.
Mas também já vi o outro extremo de perto. Pessoas que colocaram tanta esperança em candidato que perderam a paz, os relacionamentos e em alguns casos a fé.
E fiquei me perguntando: onde está o equilíbrio pra nós, cristãos?
O que Keller me ajudou a ver
No capítulo cinco de Deuses Falsos, Keller fala sobre o ídolo do poder.
Ele lembra que um ídolo não é necessariamente algo ruim. É uma coisa boa, elevada ao lugar que só Deus pode ocupar.
O poder político, em si, é um dom de Deus. Existe para promover justiça e o bem comum.
O problema começa quando a nossa esperança de salvação passa a depender de quem está no governo. Quando o candidato favorito vira quase um ungido. E o adversário político vira quase um inimigo a ser destruído.
Keller diz que o ídolo do poder promete o que só Deus pode dar: segurança, salvação e glória.
E é exatamente essa a linguagem do tempo eleitoral.
Candidatos prometem salvar a nação. Restaurar o que foi perdido. Resolver problemas que são, na raiz, de natureza espiritual e moral.
E nós, muitas vezes, entregamos o coração.
O que Samuel e Reis me ensinaram
A história de Israel é um espelho desconfortável.
O povo que tinha a Deus como Rei pediu um rei humano. E Deus, em sua soberania, permitiu. Mas avisou: esse rei vai cobrar, vai exigir, e no fim, o peso do poder humano vai esmagar os que nele confiarem.
E foi o que aconteceu.
Davi, o maior dos reis, foi ao mesmo tempo adúltero e assassino. Salomão, o mais sábio, afogou o coração em idolatria.
Se os melhores governantes da história bíblica falharam, que ilusão é a nossa ao depositar esperança messiânica em políticos contemporâneos?
A narrativa de Samuel e Reis é, em grande parte, o registro de como os reis humanos, mesmo os melhores; decepcionam.
Mas ela também é o registro de algo muito maior: Deus levanta e derruba reis. Sempre foi assim. E vai continuar sendo, independente do resultado das urnas.
Nem a direita. Nem a esquerda.
Preciso dizer isso com clareza: nenhum espectro político vai salvar uma nação em ruínas.
Nem a direita com seu apelo à ordem e aos valores tradicionais. Nem a esquerda com suas promessas de justiça e igualdade.
Ambas carregam verdades parciais. Ambas são conduzidas por seres humanos falhos, sujeitos ao orgulho, à corrupção e à cegueira moral.
Uma nação que precisa ser salva não encontra salvação em palanque.
Ela encontra no arrependimento. Na renovação. No retorno ao Deus vivo.
E aí eu pensei nos meus filhos
Porque no meio de tudo isso, veio a pergunta que não me largou:
O que eu estou ensinando a eles nesse tempo?
Que a esperança do país cabe em uma urna? Que vale perder a paz, os relacionamentos e a clareza por causa de uma eleição? Que a nossa fé tem partido?
Ou estou ensinando que Deus está acima de tudo isso?
Porque nossos filhos aprendem muito menos pelo que a gente fala e muito mais pelo que a gente vive.
Eles observam. Eles percebem. Eles absorvem.
Se nos veem ansiosos demais com resultado eleitoral, aprendem que a esperança deles depende de quem governa.
Se nos veem omissos e distantes, aprendem que responsabilidade política é opcional.
Se nos veem agindo com consciência, oração e paz, aprendem que é possível existir no mundo sem ser dominado por ele.
O que quero que meus filhos aprendam nesse tempo eleitoral
Não é uma lista perfeita. É o que estou buscando viver na prática, dentro da minha própria inconsistência.
Votar com consciência e sem fanatismo. Votar é um ato de mordomia cidadã. É responsabilidade, não opção. Mas fazemos isso com olhos abertos — sem idealizar, sem transformar político em profeta.
Orar pelos governantes. Todos. Paulo instrui Timóteo a fazer súplicas e intercessões por todos os que estão em autoridade. Não apenas pelos que a gente escolheu. A oração é o lugar onde reconhecemos quem realmente governa por trás dos governantes.
Confiar e descansar. Após votar e orar, o cristão descansa. Não na indiferença. Mas na confiança de que o coração do rei está na mão do Senhor.
O resultado das urnas não é o veredito final da história. É apenas mais um capítulo que o Autor soberano está escrevendo e vemos isso claramente quando estudamos a linha do tempo e tenho estudado ela a várias anos com meus filhos da educação clássica cristã.
O único Salvador que essa nação precisa
No fim, toda crise política é um convite espiritual.
O verdadeiro Salvador da nossa nação não mora em Brasília. Não tem partido. Não tem palanque. Não dá entrevista coletiva.
Ele reina desde antes da fundação do mundo e vai reinar muito depois que todos os políticos que conhecemos virarem história.
Seu nome é Jesus Cristo.
E o nosso papel como pais, nesse tempo, não é proteger nossos filhos da política.
É ensiná-los a não idolatrar ninguém que é apenas humano.
Isso começa em casa. Começa em nós.
“Não ponhas a tua confiança em príncipes, nem em filho de homem, em quem não há salvação.” — Salmos 146:3
E por aí, como você tem vivido esse tempo eleitoral? Tem conseguido manter a paz? Tem conversado com seus filhos sobre isso? Me conta nos comentários.
Com carinho,
Fernanda Gracioli
Leve Aconchego
🌿 Votar com consciência, orar com fervor e confiar com paz — esse é o legado de fé que podemos deixar aos nossos filhos.” — Leve Aconchego