O uso de dispositivos eletrônicos, especialmente celulares, tornou-se uma preocupação constante para pais e cuidadores. Muitos se perguntam se o tempo excessivo de tela é o grande vilão do desenvolvimento infantil ou se, na verdade, o problema está na falta de limites claros e consistentes.

Neste artigo, exploramos como o cérebro das crianças e adolescentes responde ao uso excessivo de telas, o papel dos pais na regulação desse consumo e estratégias para um uso equilibrado da tecnologia.

1. Desenvolvimento do Cérebro e Regulação Emocional

O cérebro humano passa por intensas transformações durante a infância e a adolescência. De acordo com o neurocientista Daniel Siegel (2012), autor de O Cérebro da Criança, o córtex pré-frontal – responsável pelo controle de impulsos, planejamento e regulação emocional – ainda está em desenvolvimento nessa fase da vida.

Isso significa que crianças e adolescentes não possuem maturidade para autorregular o tempo de uso de telas sozinhos. O excesso de estímulos vindos dos dispositivos eletrônicos pode levar a dificuldades na concentração, baixa tolerância à frustração e aumento da impulsividade (Christakis, 2019).

2. Telas e Desenvolvimento Cognitivo

A American Academy of Pediatrics (AAP, 2016) recomenda que crianças menores de 2 anos tenham exposição mínima a telas e que o uso seja limitado para crianças maiores. Estudos indicam que o tempo excessivo em dispositivos eletrônicos pode prejudicar habilidades fundamentais, como memória de trabalho, atenção sustentada e habilidades de resolução de problemas (Radesky et al., 2020).

Além disso, um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2019) apontou que crianças que passam mais tempo em telas têm menor envolvimento em atividades físicas e brincadeiras essenciais para o desenvolvimento cognitivo e motor.

3. Impacto Social e Vício em Tecnologia

O vício em tecnologia é uma preocupação crescente entre especialistas. A dependência excessiva de telas pode comprometer a interação social e a capacidade de estabelecer vínculos saudáveis. Estudos como o de Twenge et al. (2017) mostram que o aumento do tempo de tela está associado a níveis mais altos de ansiedade, depressão e isolamento social em adolescentes.


O Papel dos Pais: Estabelecendo Limites de Forma Respeitosa

Diante desses desafios, os pais e cuidadores têm um papel fundamental na regulação do tempo de tela. A educação positiva e a disciplina respeitosa são abordagens eficazes para ajudar as crianças e adolescentes a desenvolverem um uso mais consciente da tecnologia.

1. Defina Regras Claras

As regras sobre o uso de telas devem ser estabelecidas de forma antecipada e com consistência. Algumas sugestões incluem:
✅ Estabelecer horários específicos para o uso de dispositivos eletrônicos.
✅ Criar zonas livres de telas, como durante as refeições e na hora de dormir.
✅ Oferecer alternativas saudáveis, como leitura, brincadeiras ao ar livre e esportes.

2. Seja um Exemplo

O comportamento dos pais influencia diretamente o dos filhos. Se os adultos passam grande parte do tempo no celular, será difícil convencer as crianças a reduzirem o uso. Demonstrar equilíbrio e autorregulação é essencial para ensinar bons hábitos digitais.

3. Acolha as Frustrações

Limitar o tempo de tela pode gerar resistência, irritação e até crises de raiva. É fundamental que os pais reconheçam essas emoções sem ceder. A frustração faz parte do aprendizado, e crianças que aprendem a lidar com limites tornam-se adultos mais resilientes.


Conclusão

A tecnologia faz parte da nossa realidade e pode ser uma ferramenta poderosa para aprendizado e conexão, mas seu uso descontrolado pode trazer consequências negativas para o desenvolvimento infantil e adolescente.

A responsabilidade não é do celular, e sim dos adultos que precisam estabelecer limites e orientar as crianças sobre o uso saudável das telas. Com regras claras, acolhimento emocional e exemplos positivos, é possível ensinar os filhos a usarem a tecnologia de maneira equilibrada e benéfica.

    2 respostas

    1. Quando não existia o celular, existia a televisão, vídeo game, tudo sempre em excesso faz mal. Portanto os pais têm sim obrigação de vigiar o tempo gasto de seus filhos em qualquer situação.Infelizmente a desculpa é não ter tempo, excesso de trabalho e por aí vai, com isso estão perdendo o controle de quem dita as regras.Tv não liga sozinha e celular não anda para ir até as mãos, infelizmente muitos adultos também não sabem se controlar com o uso desses aparelhos.Adultos sem regras criam filhos ansiosos, sem limites, muito triste tudo isso.E pensar que a tecnologia foi um meio inteligente de fazer parte da vida das pessoas, está deixando as pessoas doentes.

    Deixe um comentário para Fernanda Gracioli Cancelar resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

    Abrir chat
    💬 Mais informações?
    Olá 👋
    Posso ajudar?