Em uma sociedade cada vez mais conectada, o uso de telas por crianças e adolescentes se tornou um desafio diário para pais e cuidadores. Embora a tecnologia ofereça benefícios inegáveis, como acesso à informação e ao entretenimento, o excesso ou o uso inadequado pode impactar o desenvolvimento emocional, social e até físico dos jovens. Então, qual é o papel dos cuidadores e da sociedade nesse cenário?

1. Estabelecimento de Acordos Familiares

O primeiro passo é construir uma base de confiança e respeito mútuo. Em vez de impor limites de maneira unilateral, tente dialogar com a criança ou adolescente, criando juntos um “acordo familiares” sobre o uso de telas. Isso pode incluir o tempo permitido para cada tipo de atividade digital (jogos, redes sociais, estudos) e onde e quando as telas não serão utilizadas (como na hora das refeições e antes de dormir). Esses acordos reforçam o senso de responsabilidade e ajudam a criança a entender as consequências de seus comportamentos online.

2. Preparação para as Reações Emocionais

Limitar o uso de telas nem sempre será bem recebido, especialmente quando estamos lidando com frustrações intensas. É comum que crianças e adolescentes reajam de maneira extrema, como com choro, birras e até gritos, pois esses são momentos em que enfrentam seus próprios limites e dificuldades de autorregulação. Como cuidadores, precisamos nos preparar emocionalmente para acolher essas reações, sem desistir dos limites estabelecidos, mas demonstrando empatia e compreensão.

3. Ensinar Autocontrole e Resiliência

Ao guiar a criança ou adolescente através de sua frustração, estamos ensinando habilidades cruciais para a vida. Com o tempo e a prática, eles começam a desenvolver resiliência e aprendem a lidar com situações que os desafiam. Ao mantermos um diálogo aberto e gentil, mas firme, sobre os motivos dos limites, fortalecemos sua capacidade de lidar com as próprias emoções de forma saudável.

4. O Papel da Sociedade e da Legislação na Proteção das Crianças

Além dos acordos e limites que estabelecemos em casa, a sociedade e o governo têm papéis fundamentais na criação de ambientes digitais mais seguros para crianças e adolescentes. Leis e regulamentações que protegem o público infantil no desenvolvimento de softwares e jogos são essenciais para evitar que crianças e adolescentes fiquem expostos a conteúdos prejudiciais e aplicativos com mecanismos viciantes.

A PL 104/2015, que propõe o marco regulatório da internet para crianças e adolescentes, é um exemplo de legislação importante que visa garantir a proteção dos direitos digitais dos jovens. A proposta tem como objetivo regular a comercialização de conteúdos digitais, proteger a privacidade das crianças e adolescentes, e exigir que plataformas de mídia digital como redes sociais e jogos virtuais adotem medidas mais rigorosas contra a exploração, manipulação e exposição inadequada dos menores. A aprovação dessa lei é crucial para garantir que as crianças e adolescentes estejam mais protegidos de conteúdos prejudiciais, como a exploração de dados e o uso de técnicas de manipulação para o vício digital.

5. Exemplo Pessoal e Coerência

Outro aspecto essencial é ser exemplo. O tempo que nós mesmos passamos nas telas influencia diretamente o comportamento dos pequenos. Manter uma relação equilibrada com a tecnologia e demonstrar que também respeitamos limites digitais reforça a coerência e facilita a aceitação dos limites que propomos para eles.

Nosso papel como cuidadores no uso de telas é crucial para ajudar crianças e adolescentes a desenvolverem uma relação saudável com a tecnologia. Quando estabelecemos limites claros, acompanhados de empatia e exemplo, e contamos com o apoio de políticas públicas e regulamentações como a PL 104/2015, contribuímos para que cresçam com habilidades essenciais de autocontrole e resiliência, enquanto a sociedade oferece um ambiente digital mais seguro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Abrir chat
💬 Mais informações?
Olá 👋
Posso ajudar?