Sujou, limpou. Usou, guardou. Isso faz tanto sentido né?… soa bem lógico.
Mas, na maioria das vezes, nós adultos usamos castigos (punições), disfarçados de consequências. A forma (o como) tentamos usar as consequências lógicas (e as naturais) com nossos filhos e o porquê, fazem toda diferença.
Por isso, vamos falar um pouco aqui dessas duas ferramentas da Disciplina Positiva.
CONSEQUÊNCIAS NATURAIS
São consequências que acontecem sem nenhuma interferência do adulto.
Quando você tá na chuva se molha. Quando você não come, fica com fome. Quando esquece o casaco fica com frio. E ela é ferramenta muito poderosa se a gente não ficar tentando interferir ou tirar proveito indevido dela. Por exemplo: quando os adultos dão sermão, xingam, falam: “Eu te falei, quem mandou esquecer…” ou “Pois é, bem feito, agora você vai aprender!”, ou seja, o adulto tenta acrescentar mais culpa, vergonha e dor do que a criança poderia experenciar naturalmente com essa vivência.
Esse uso indevido diminui o aprendizado, a criança ou adolescente para de processar a experiência e se concentra em absorver (ou se defender) da culpa, vergonha e dor.
Ao invés disso, a gente pode demonstrar compreensão e empatia pelo que a criança está passando, por exemplo: “Aposto que foi difícil ter ficado com fome/com frio/tirado notas baixas/perdido sua bicicleta…” com o cuidado para ser solidário, sem resgatar ou superproteger fazendo por eles, no lugar deles.
A consequência natural é uma forma das crianças aprenderem sobre responsabilidade, como ela acontece sem nenhuma interferência do adulto, pra que ela possa existir, a gente pode se perguntar em determinadas situações:” O que aconteceria se eu não interferisse?”.
E a partir disso, NÃO devemos permitir a consequência natural se percebermos que:
– A criança/adolescente estará em perigo;
– A gente não investiu tempo de prática e ensino sobre esse assunto/tarefa;
– As consequências naturais interferem nos direitos dos outros ou prejudicam outras pessoas;
– O resultado do comportamento/escolha das crianças não forem um problema para elas, pois a consequência natural não é eficaz nesses casos.
CONSEQUÊNCIAS LÓGICAS
A consequências lógicas diferentemente dos naturais, têm a intervenção do adulto e precisamos lembrar que elas NÃO são a melhor solução para a MAIORIA dos problemas. Elas podem ser uma ferramenta em alguns casos, mas só devem ser usadas como ÚLTIMO RECURSO, porque nosso foco deve ser em soluções benéficas e respeitosas para os problemas e não em causar/usar consequências lógicas, já que nesses casos, o que geralmente usamos na prática é uma punição disfarçada de consequência lógica.
As consequências lógicas só funcionam quando geram uma experiência de aprendizado útil e que ENCORAJA a criança a escolher uma cooperação responsável.
Assim, para serem mesmo consequências lógicas, devem ser esses 4 R´s + U:
– Relacionadas ao problema;
– Respeitosas com a criança/adolescentes e todos envolvidos;
– Razoável – não queremos que ‘pague’ pelo fez e sim que haja aprendizados;
– Revelada com antecedência – não podemos cobrar algo que ela não tinha ciência que havia uma regra/consequência;
– Útil – tem que contribuir a solucionar o problema/reparar danos.
Senão atende todos esses 5 requisitos, ela se torna uma punição mascarada de consequência lógica.
Além disso, quando a gente só quer que eles tenham uma consequência lógica, esquecemos muitas vezes de cuidar das causas dos maus comportamentos, dos porquês, de quais necessidades (≠de desejos) essa criança ou adolescente, estão sinalizando através do comportamento e que não estão sendo atendidas.
Também, se estamos numa situação em que há desconexão entre nós e criança/adolescente ou de emoções ‘a flor da pele’, a consequência lógica não funcionará. É preciso primeiro cuidar e validar as emoções e sentimentos envolvidos, ou seja, ter CONEXÃO ANTES DA SOLUÇÃO.
Portanto, a consequência lógica precisa realmente fazer sentido, deve ser usada para algo significativo e benéfico, mas na maioria das vezes, ao envolver as crianças na busca por soluções, chegamos em caminhos muito mais interessantes.
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Gláucia Aramu – Educadora Parental
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Contato de e-mail: aramuglaucia@gmail.com
