Você sabia que, para interagir de forma respeitosa e eficaz com sua criança, é fundamental entender não só o desenvolvimento físico, mas também o emocional e cerebral dela? Afinal, o cérebro humano só completa seu desenvolvimento por volta dos 25 anos de idade. Essa imaturidade cerebral explica muitos comportamentos infantis que, à primeira vista, podem ser vistos como “birra” ou “teimosia”. Em muitas situações, a criança simplesmente não tem capacidade neurológica de reagir de maneira diferente, e isso pode mudar a forma como enxergamos suas atitudes.
Agora que você sabe que boa parte do desenvolvimento cerebral da criança acontece após o nascimento, que tal conhecer um pouco mais sobre essas fases? Entender o que está se passando na mente de seu filho facilita o acolhimento e a educação, tornando a convivência mais harmoniosa e respeitosa.
Os três “cérebros” e suas funções
Para facilitar a compreensão, podemos dividir o cérebro em três partes principais: o reptiliano, o límbico e o neocórtex.
1.Cérebro reptiliano: o sobrevivente
Essa é a única parte do cérebro que já está completamente funcional ao nascer. Ela é responsável por funções básicas de sobrevivência, como regular a respiração, controlar o ritmo cardíaco e disparar os gatilhos de choro quando o bebê sente fome, frio, calor, desconforto ou sono. O cérebro reptiliano lida com as respostas mais primitivas e automáticas, aquelas que garantem nossa sobrevivência.
2.Cérebro límbico: o emocional
O cérebro límbico, responsável pelas emoções, começa a se desenvolver por volta dos 15 meses. É ele que regula sentimentos como raiva, medo, frustração, alegria e satisfação. A famosa fase dos “terríveis dois” (ou terrible twos) – quando as birras e crises emocionais se tornam mais frequentes – está relacionada ao desenvolvimento dessa área. Contudo, é importante lembrar que o cérebro límbico só estará plenamente formado por volta dos 20 anos. Ou seja, a capacidade de regular completamente as emoções é algo que se conquista gradualmente.
3.Neocórtex: o cérebro racional
Por volta dos 3 ou 4 anos, começa a se desenvolver o neocórtex, a parte mais sofisticada do cérebro. É essa região que nos permite pensar de forma lógica, criar, planejar e controlar impulsos. É também o neocórtex que permite à criança começar a compreender regras e ordens. Embora o processo de amadurecimento dessa área seja mais lento, é fundamental para o equilíbrio emocional, pois permite que a criança enxergue o mundo de maneira mais ampla e racional.
Integração e maturidade emocional
Somente com a integração dessas três partes – o cérebro reptiliano, o límbico e o neocórtex – é que a criança (e, mais tarde, o jovem adulto) será capaz de viver de maneira emocionalmente equilibrada. Esse processo, no entanto, é gradual e exige paciência. Ao longo do desenvolvimento, as crianças vão precisar de adultos maduros, dispostos a guiar, acolher e respeitar esses processos com amor e compreensão.
Enquanto o cérebro da criança ainda está em formação, cabe a nós, os adultos – pais, cuidadores e sociedade em geral – ajudá-las a se regular emocionalmente. Nossa função é ser um ponto de equilíbrio, oferecendo segurança e suporte para que, aos poucos, elas aprendam a lidar com suas emoções de forma saudável.
Para saber mais:
Se você quer se aprofundar no desenvolvimento cerebral das crianças e adolescentes, recomendo os livros de Daniel Siegel: O Cérebro da Criança e O Cérebro do Adolescente. Essas obras oferecem uma visão detalhada e esclarecedora sobre o amadurecimento cerebral e como ele influencia o comportamento em diferentes fases da vida.