“O que estamos fazendo para ensinar nossos filhos a serem empregáveis, respeitosos, iniciantes esforçados que trabalham porque é agradável servir aos outros?” – Leigh A. Bortins
Comecei a ler um livro chamado A Pergunta, da autora da frase acima, e logo nas primeiras páginas esse trecho me impactou profundamente. Ele ficou ecoando na minha mente, especialmente a parte que diz: porque é agradável servir aos outros.
Isso me fez refletir: como estou ensinando meus filhos a encontrar prazer em servir? Que valores estou transmitindo para que eles enxerguem o servir como algo positivo e não apenas como uma obrigação?
O dicionário Caldas Aulete define servir de diversas formas:
- Estar a serviço de alguém como servo, escravo ou criado.
- Trabalhar para alguém ou para uma instituição.
- Prestar assistência, cuidar.
- Consagrar-se ou prestar um bom serviço.
Hoje, fala-se muito sobre como ganhar dinheiro, como prosperar rapidamente, mas pouco se discute sobre a importância de trabalhar com excelência e dedicação, servindo aos outros com qualidade.
Na educação positiva e não violenta, buscamos preparar as crianças para o futuro, considerando não apenas o presente, mas o adulto que desejamos que elas se tornem. O desenvolvimento de habilidades socioemocionais, como empatia, responsabilidade e cooperação, acontece desde a infância, através das vivências cotidianas dentro do lar.
Como ensinamos nossos filhos a oferecer um bom serviço, a serem bons profissionais, a se dedicarem ao que fazem? Isso acontece apenas ao servi-los com excelência?
Muitas mães e pais sentem que precisam fazer tudo pelos filhos, quase como se fossem seus serviçais. Mas, na verdade, ensinar a servir começa de outra forma: sendo exemplo. Se nossos filhos nos vêrem trabalhando com dedicação, ajudando com alegria, entendendo a importância de contribuir, eles vão aprender naturalmente.
E onde tudo isso começa? No lar. A primeira instituição da qual seu filho faz parte é a sua casa. Por isso, ensine-o a servir dentro desse ambiente. Converse sobre a importância de colaborar para o bem-estar da família, mostre como um lar limpo e organizado torna a vida de todos melhor e incentive a participação ativa.
Como incluir a criança no serviço do lar
Desde cedo, a criança pode ser incentivada a participar das tarefas domésticas de forma respeitosa e adequada para sua idade. Algumas atividades incluem:
- 2 a 4 anos: guardar brinquedos, colocar roupas sujas no cesto, ajudar a regar plantas.
- 5 a 7 anos: arrumar a cama, secar pratos, alimentar animais de estimação.
- 8 a 10 anos: varrer a casa, dobrar roupas, preparar pequenos lanches.
- 11 anos ou mais: cozinhar pratos simples, cuidar da limpeza de um cômodo, lavar louça.
Essas tarefas, além de desenvolverem autonomia, ensinam responsabilidade e pertencimento. Quando a criança percebe que sua contribuição é valiosa, ela se sente mais conectada à família e aprende que servir é uma forma de amor e cuidado.
A contribuição da educação clássica
A educação clássica enfatiza a formação integral do ser humano, considerando virtudes como autodisciplina, responsabilidade e serviço ao próximo. Leigh Bortins, em seu trabalho sobre educação clássica, reforça a ideia de que a educação deve preparar a criança para ser um adulto competente e virtuoso. Esse modelo educacional incentiva hábitos como trabalho diligente e contribuição comunitária, aspectos que ajudam a construir indivíduos comprometidos com o bem comum.
Autoras como Jane Nelsen, em Disciplina Positiva, também ressaltam a importância da participação ativa da criança nas responsabilidades da família, promovendo a cooperação sem recorrer a punição ou coerção.
Conclusão
Ensinar uma criança a servir com excelência é prepará-la para a vida adulta. Quando damos espaço para que elas colaborem desde cedo, estamos ajudando a formar indivíduos mais empáticos, comprometidos e preparados para o futuro. Afinal, um adulto responsável e dedicado é, antes de tudo, uma criança que aprendeu que servir é um privilégio, não um peso.
E você, já incentiva seu filho a colaborar no lar?