Qual mãe ou pai nunca ouviu de seus filhos frases como: “Não me importo com isso”, “Eu te odeio”, “Você que escolheu me ter, não pedi para nascer”, “Odeio meu irmão, preferia que ele não existisse.”

Frases como essas podem nos desconcertar e, muitas vezes, nos deixar em choque. No entanto, em vez de pensar “O que fiz para merecer isso?”, já parou para refletir sobre o que sua criança realmente está tentando comunicar?

A comunicação infantil e adolescente ainda está em desenvolvimento, e a capacidade de expressar emoções de forma clara e racional não está totalmente amadurecida. O cérebro infantil, especialmente o córtex pré-frontal, responsável pelo controle emocional e pelo pensamento reflexivo, ainda está em formação. (Siegel & Bryson, 2016). Isso significa que, muitas vezes, a forma como as crianças e adolescentes expressam seus sentimentos pode ser impulsiva e exagerada.

Por exemplo:

Diante dessas falas, como pais e cuidadores, nosso papel é acolher e ajudar a criança ou adolescente a nomear e compreender seus sentimentos. Isso não significa permitir desrespeito, mas sim criar um espaço seguro para que possam aprender a expressar suas emoções de forma mais adequada. Algumas estratégias incluem:

  1. Validar os sentimentos: “Vejo que você está muito irritado agora. Quer me contar o que aconteceu?”
  2. Reformular a fala da criança: “Parece que você ficou muito chateado com a decisão que eu tomei.”
  3. Ensinar alternativas para expressar emoções: “Ao invés de dizer ‘Eu te odeio’, você pode dizer ‘Estou bravo com você agora’.”
  4. Escolher o momento certo para conversar: Durante a explosão emocional, a criança está com o sistema nervoso ativado e não consegue raciocinar claramente. O melhor momento para ensinar sobre emoções é depois que a tempestade passa.
  5. Modelar comportamentos respeitosos: As crianças aprendem mais observando nossas reações do que apenas ouvindo nossas palavras.

A neurociência nos mostra que o desenvolvimento emocional e cognitivo ocorre em estágios e é influenciado pelo ambiente e pelos relacionamentos. John Bowlby (1989), em sua teoria do apego, enfatiza que crianças que recebem respostas sensíveis e empáticas de seus cuidadores desenvolvem melhor regulação emocional e habilidades sociais.

Portanto, ao ouvir frases duras de seus filhos, tente enxergar o que está por trás das palavras. Com paciência, empatia e orientação, você os estará ajudando a desenvolver uma comunicação mais assertiva e saudável para a vida toda.

Referências:

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