Você e eu temos dias bons e ruins. Às vezes acordamos cheios de energia, outras vezes só queremos ficar na cama. Temos o direito de recusar uma comida que não gostamos e decidir o quanto queremos comer. Se caímos, somos prontamente acolhidos por pessoas preocupadas em nos ajudar. Mas você já reparou como essas coisas são frequentemente negadas às crianças, simplesmente por serem crianças?
Como se, além do tamanho e idade, não fossem seres humanos, tão complexos e únicos quanto qualquer adulto. De onde vem a ideia de que uma criança não sabe quando está ou não com fome? Que ela não tem o direito de não gostar de determinada comida ou bebida? Ou que não pode se sentir mal-humorada, só porque é criança?
Muitas vezes esquecemos que, antes de serem crianças, são pessoas. Todo ser humano deve ser respeitado, independente do tamanho que ele tenha! Enquanto mães, pais e cuidadores, precisamos ser autoridades na vida dos nossos pequenos, mas essa autoridade deve ser baseada em respeito e admiração. Afinal, nós também temos dificuldades em seguir um líder que não respeitamos.
Permitir que uma criança faça apenas o que quer e não estabelecer limites não é respeitar a criança, é ser permissivo. E aqui é importante frisar que respeitar e ser permissivo são coisas bem diferentes. Enquanto adultos, precisamos aprender a colocar regras e limites sem desrespeitar a criança.
Exemplos práticos para aplicar o respeito no dia a dia:
- Sobre a fome: Quando estiver em dúvida se a criança está realmente com fome, ensine-a a refletir sobre o assunto: “Você está mesmo com fome ou está entediado e resolveu comer?” ou “Você está me dizendo que em sua barriguinha não cabe mais comida, é isso? Ela já está cheia?”
- Sobre gostos alimentares: Aceite que a criança pode não gostar de determinadas comidas ou bebidas, assim como você também não gosta de tudo. Para alimentos e bebidas novos, peça para experimentar um pouquinho, mas sem forçar. Lembre-se, você também não gostaria que alguém te forçasse a comer algo que não te desperta o menor desejo.
- Sobre o mau-humor: Analise se a rotina foi quebrada, se a criança teve as horas de sono apropriadas ou se existe algo novo que possa estar exigindo mais energia para adaptação. Se estiver tudo dentro do previsto, aceite: você também tem dias ruins!
- Sobre quedas e machucados: Em vez de dizer “não foi nada”, mesmo que você perceba que o choro seja mais pelo constrangimento dos olhares alheios, acolha: “Nossa, que susto, né? É muito ruim cair na frente de outras pessoas, dá vergonha, não é mesmo?” Ajude a identificar os sentimentos envolvidos na situação.
Humanizar nossos pequenos
A intenção aqui é pensar: se eu estivesse lidando com outro adulto, estaria lidando da mesma forma? Colocar essa perspectiva nos ajuda a humanizar nossos pequenos. Para sermos autoridades na vida deles, precisamos que eles se sintam amados, acolhidos e respeitados.
Por aqui, acreditamos que todo ser humano, independente da idade, merece respeito e compreensão. Vamos juntos construir um ambiente mais acolhedor para nossos pequenos, onde o respeito seja a base de todas as interações.
Fernanda Gracioli
Educadora Parental
Instagram: @leveaconchego
